cover
Tocando Agora:

Advogada presa após reclamar nas redes sociais de arquivamento de boletim de ocorrência pagou fiança de R$ 10 mil: ‘Dificultou minha liberação’

Advogada é presa após postagem nas redes sociais A advogada Áricka Rosalia Alves Cunha, que foi presa pelo delegado Christian Zilmon Mata dos Santos após um...

Advogada presa após reclamar nas redes sociais de arquivamento de boletim de ocorrência pagou fiança de R$ 10 mil: ‘Dificultou minha liberação’
Advogada presa após reclamar nas redes sociais de arquivamento de boletim de ocorrência pagou fiança de R$ 10 mil: ‘Dificultou minha liberação’ (Foto: Reprodução)

Advogada é presa após postagem nas redes sociais A advogada Áricka Rosalia Alves Cunha, que foi presa pelo delegado Christian Zilmon Mata dos Santos após uma crítica nas redes sociais sobre o arquivamento de um boletim de ocorrência feito por ela, só foi liberada após pagar uma fiança de R$ 10 mil. O momento da prisão foi filmado por uma testemunha e compartilhado pela advogada (veja acima). Ao g1, Áricka também destacou que o delegado deixou ela e membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) esperando enquanto ele jantava. "Ele (o delegado) saiu para jantar e deixou eu e todos os representantes da OAB esperando pela boa vontade dele. Foi uma situação lamentável e esdrúxula", destacou. De acordo com Christian, a advogada foi autuada por desacato, e afirmou que ela também cometeu os crimes de difamação e desobediência. A advogada chegou a ser algemada, e o delegado afirmou que tomou a atitude pois ela "não queria obedecer à ordem" ao ser conduzida. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) disse que, diante da gravidade dos fatos, foram formalizadas representações por abuso de autoridade junto ao Ministério Público, além de comunicações à Corregedoria-Geral da Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública (leia a nota completa ao final do texto). O caso aconteceu na quarta-feira (15), em Cocalzinho de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Áricka afirmou que precisou esperar por cerca de seis horas até pagar a fiança e ser liberada. Ela também afirmou que o delegado dificultou a soltura dela, já que exigiu que o pagamento fosse feito em espécie. "Exigiram que o pagamento fosse feito em espécie, o que dificultou a minha liberação porque 18h estava tudo fechado. Meu esposo teve que sair pegando dinheiro com a população, um pouquinho com cada pessoa. E quando fomos realizar o pagamento, o escrivão perguntou se seria via PIX", contou à TV Anhanguera. LEIA TAMBÉM: ENTENDA: Advogada é presa após reclamar nas redes sociais que delegado arquivou boletim de ocorrência por falta de policiais; vídeo Homem preso por engano recebe ajuda após colega de cela contar o caso para a advogada Tio de advogada suspeita de tortura teve nome usado para abertura de conta bancária após não pagar empréstimo, dizem familiares Após o ocorrido, a União Nacional das Advogadas Criminalistas e Acadêmicas de Direito (UNAA) enviou um requerimento à Corregedoria da Polícia Civil para que o caso seja apurado, nesta sexta-feira (17). Em nota ao g1, a Polícia Civil informou que o caso chegou à Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO e que todas as providências necessárias para apurar o ocorrido estão sendo tomadas. Entenda o caso A advogada Áricka Cunha foi presa pelo delegado de Cocalzinho de Goiás, Christian Zilmon, depois de ter reclamado por ter tido um boletim de ocorrência de difamação arquivado Reprodução/ TV Anhanguera Um mês antes de ser presa, em março, Áricka recolheu assinaturas de moradores pedindo um serviços de "tapa buraco" em Cocalzinho de Goiás. Após conseguir o número de assinaturas e levar à prefeitura, ela publicou o feito nas redes sociais e foi ofendida por um dos comentários que a chamou de "loira idiota" e disse que ela não "sabe de nada". Devido à ofensa, a advogada registrou um boletim de ocorrência na delegacia. Mas, no dia 26 de março, conforme documento divulgado pela advogada, o delegado determinou o arquivamento provisório do registro, alegando que a medida estava sendo tomada até que houvesse um aumento do efetivo de policiais na delegacia (veja abaixo). A delegada Áricka Cunha solicitou ao delegado de Cocalzinho o desarquivamento do registro e divulgou o pedido nas redes sociais Reprodução/ TV Anhanguera Após não concordar com o arquivamento, a advogada pediu o desarquivamento do caso e postou os pedidos nas redes sociais, inclusive os despachos da polícia. As publicações fizeram o delegado ir ao escritório dela, para prendê-la por desacato. Durante a condução e prisão da advogada, o delegado afirmou que ela desobedeceu a uma ordem dada por ele e precisou ser algemada. "Depois ela, descontrolada, não queria obedecer à ordem. Também, desobediência. E aí teve que ser algemada. Então, é uma situação chata porque é moradora do município, mas a gente tem que cumprir a lei. Ninguém está acima da lei. Nem eu, nem ela", disse o delegado, à TV Anhanguera. Nota da OAB-GO "A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), instaurou procedimento específico e adotou, de forma imediata, medidas institucionais em relação ao caso ocorrido em Cocalzinho de Goiás, envolvendo a advogada Áricka Cunha. Conforme apurado, a profissional teve seu escritório invadido e foi presa em flagrante, com uso de algemas, após a divulgação de conteúdo em redes sociais relacionado ao exercício da advocacia, situação que, em tese, configura violação às prerrogativas profissionais, especialmente quanto à inviolabilidade do escritório e aos limites legais para prisão de advogados. Diante da gravidade dos fatos, foram formalizadas representações por abuso de autoridade junto ao Ministério Público, comunicações à Corregedoria-Geral da Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública, além da adoção de medidas no âmbito disciplinar para a devida apuração da conduta. Paralelamente, a Procuradoria de Prerrogativas atua para assegurar as garantias legais da profissional, inclusive com medidas voltadas à nulidade dos atos praticados e à preservação do livre exercício da advocacia. A OAB-GO mantém acompanhamento permanente do caso e seguirá adotando todas as providências necessárias à defesa das prerrogativas, essenciais à garantia do direito de defesa e ao regular funcionamento do Estado Democrático de Direito". 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

Fale Conosco